Poemas que gosto, poemas que nem gosto, mas que vem brincar por aqui por acaso...

Poema ao acaso


Naquela roça que não tem chuva é o suor do meu rosto que rega as plantações; Naquela roça grande tem café maduro e aquele vermelho-cereja são gotas do meu sangue feitas seiva. O café vai ser torrado, pisado, torturado, vai ficar negro, negro da cor do contratado! Negro da cor do contratado! Perguntem às aves que cantam, aos regatos de alegre serpentear e ao vento forte do sertão: Quem se levanta cedo? quem vai à tonga? Quem trás pela estrada longa a tipóia ou o cacho de déndén? Quem capina e em paga recebe desdém fubá podre, peixe podre, panos ruins, cinqüenta angolares porrada se refilares? Quem? Quem faz o milho crescer e os laranjais florescer — Quem? Quem dá dinheiro para o patrão comprar máquinas, carros, senhoras e cabeças de pretos para os motores? Quem faz o branco prosperar, ter a barriga grande — ter dinheiro? — Quem? E as aves que cantam, os regatos de alegre serpentear e o vento forte do sertão responderão: — Monangambéée... Ah! Deixem-me ao menos subir às palmeiras Deixem-me beber maruvo, maruvo e esquecer diluído nas minhas bebedeiras — Monangambéée...


23 janeiro, 2011

Uma declaração de amor à liberdade de criação

Do UOL, em 23/01/11, por Daniel Benevides

Capa do livro
"Só Garotos", de Patti Smith, é uma declaração de amor a Mapplethorpe e à liberdade de criação

Nova York vivia em ebulição. De suas ruas, casas de shows, livrarias e bares saiam rolos de fumaça psicodélica e emanações de libertação artística e sexual. Era o cenário ideal para os jovens artistas, poetas, roqueiros e intelectuais que buscavam novas formas de expressão e mudavam a todo momento a cara dos anos 60.
“Só Garotos” descreve esse caldeirão cultural a partir de um olhar poético e engajado – o olhar de Patti Smith, musa dos primeiros passos do punk. Generosa com sua própria trajetória, ela estende a mão e convida o leitor a passear contra o vento pelas ruas de Manhattan. E revela sua bela história de amor com o então desconhecido Robert Mapplethorpe.
(...)
Um casal como outro qualquer, não fosse por Jimmy Hendrix e Janis Joplin freqüentarem seu prédio.

A todo momento ela passeia o foco por seus novos interesses, especialmente a música. E acompanha, com admiração e curiosidade, as novas descoberta do companheiro. Estão sempre criando juntos. Em suas próprias palavras, ela era cheia de referências, ele de imagens. A devoção de um pelo outro criou um invólucro protetor, nada era mais importante do que a liberdade da criação.

"Horses"
Ao longo dos anos, Mapplethorpe passa da feitura de objetos como altares profanos, assemblages e desenhos, para temas cada vez mais densos. A descoberta da fotografia vem acompanhada de curiosidade pelo universo gay. Seu crescente interesse pelo homossexualismo e sadomasoquismo desestabiliza o casal. Sintomaticamente, a separação coincide com o desencantamento do idealismo hippie e as mortes de Janis, Hendrix e Jim Morrison.
Depois de cursos informais de poesia com os maiorais do movimento beatnik, Burroughs, Ginsberg e principalmente Gregory Corso, que ela pinta com cores vivas, Patti sente-se preparada para dar a cara a tapa. Em 75, entra finalmente no estúdio Eletric Lady, herança deixada por Hendrix, e grava seu primeiro disco, o cultuado "Horses". Com a mesma cumplicidade de antes, Robert tira o retrato de Patti para a capa.

Nos anos seguintes Patti foi reconhecida como precursora genial do punk. No verão de 1978 chega ao sucesso com a canção "Because The Night", parceria com Bruce Springsteen. Pouco depois, as fotografias eróticas e a personalidade irreverente de Mapplethorpe o leva ao patamar mais elevado da fama. Os dois haviam encontrado seus caminhos.

Em 1986, casada com Fred Sonic Smith, guitarrista de sua banda, e à espera do segundo filho, Patti recebe a notícia que Robert estava com aids. A partir daí segue uma dura despedida, que dura três anos. Tal como a abertura do livro, são momentos pungentes, de beleza sofrida. Ao fechar “Só Garotos”, que ganhou muito merecidamente o National Book Award de não-ficção, a impressão é de realmente ter estado ao lado de Patti e Robert. E companhia melhor não há.

"SÓ GAROTOS"

Autor:        Patti Smith
Editora:     Cia das Letras
Tradutor:   Alexandre Barbosa de Souza
Páginas:     280
Preço:       R$ 39

22 janeiro, 2011

Identidade do artista conhecido como Banksy é leiloada no eBay

Do site Terra:

Grafitti do artista britânico Bansky


A identidade do artista conhecido em todo o mundo como Banksy, nomeado para um BAFTA, está prestes a ser revelada por meio de um leilão no eBay, segundo o The Sun. Banksy manifesta sua aversão aos conceitos de autoridade e poder por meio do grafiti.
O leilão, cuja base era US$ 3 mil, já tem 38 lances e antigiu US$ 1 milhão. Quem der o maior lance até o fim da tarde desta quarta-feira (19) ganhará um pedaço de papel com a "verdadeira identidade" do artista britânico.
A descrição do artigo diz que o nome de Banksy foi descoberto através "do cruzamento do preço das suas obras com as correspondentes taxas de impostos", não revelando mais detalhes.

O novo Ano Novo...