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Poema ao acaso

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08 janeiro, 2009

Pedidos de Ano Novo

Keith Haring, 1983, sem título - 33673

Minha primeira experiência com a morte de alguém conhecido não foi relacionada a parentes próximos. Na verdade, matei um amigo imaginário.
Não o da infância, que compartilhava com minha irmã. Este ficou atrás dos armários da casa da minha mãe, mas deixou de aparecer para nós.
O amigo que matei já era uma convivência da pré-adolescência e assim como só eu conhecia sua existência, endereços, dilemas e até namoradas, ninguém mais ficou sabendo do meu luto.
Matei-o do coração, uma causa mortis bem anti-natural para um jovem, do meu ponto de vista, mas o que conferiu ainda mais dramaticidade à inesperada perda.
Essa lembrança me veio à mente tantos anos depois, ao ler involuntariamente uma parte da lista de pedidos de Ano Novo da minha sobrinha adolescente.
Ela dizia: "sair do meu mundo de conto de fadas", "ter amigos reais", ao lado de "fazer exercícios".
Creio que ela já sabe que a separação entre a fantasia e a realidade é uma exigência para a entrada formal no mundo dos adultos.
Mas crescer não é simplesmente matar os amigos imaginários, nem ocorre por decreto.
Certamente os amigos e relações reais contribuem mais para o crescimento, mas bem lá no fundo temos que preservar um pouquinho de fantasia, para alimentar nossa criatividade, senão como sobreviver nesse mundo?

2 comentários:

paliavana4 disse...

Uma beleza de texto.
Um abraço. Tenha um excelente 2009.

Darlan

Cíntia disse...

Obrigada, meu caro.

Um ótimo 2009 para você tbém.

Abs

O novo Ano Novo...